Audio Rebel: a ‘categoria de base’ da música independente fluminense
Casa de Botafogo acompanha os primeiros passos de novos artistas, reúne diferentes gerações e mantém um dos palcos mais constantes da música alternativa do Rio

Existe uma grande chance de que a próxima estrela da música alternativa fluminense faça um de seus primeiros shows na Rua Visconde de Silva, 55, em Botafogo. Tem sido assim nos últimos 21 anos, desde que a Audio Rebel transformou um velho sobrado na Zona Sul carioca em ponto de encontro entre novos artistas e ouvintes dispostos a descobri-los.
Ao longo de pouco mais de duas décadas, nomes já estabelecidos da música brasileira — como Jards Macalé, Arrigo Barnabé e Jorge Mautner — dividiram a programação com músicos que passaram pela casa ainda no início de suas trajetórias e, mais tarde, também se consolidariam como referências, como Negro Leo.
Essa convivência entre o consagrado e o desconhecido não acontece por acaso. Com capacidade para cerca de 90 pessoas, o espaço fez de suas pequenas dimensões uma grande vocação: acolher projetos que ainda não cabem em palcos maiores.
“É muito legal que a gente tenha essa possibilidade de ser um espaço pequeno, de abrir as portas para projetos embrionários. E, ao mesmo tempo, com uma estrutura boa, que pode receber um artista já acostumado com aparatos melhores”, conta Pedro Azevedo, fundador da casa.
A Rebel acabou assumindo, assim, uma espécie de papel de “categoria de base” da música independente carioca — com a desvantagem de não receber em euro quando alguns de seus talentos são “transferidos” para a Europa. “Quando as coisas começam a gerar dinheiro, eles deixam de tocar aqui”, brinca Pedro.

Nesse movimento, deixar o pequeno palco de Botafogo por espaços maiores não é visto pela casa como uma perda, mas como parte de sua própria missão. “É muito prazeroso esse outro lado de acompanhar e fazer parte da história das pessoas”, conta, citando também Dora Morelenbaum, Julia Mestre e Mãeana entre os nomes que viu de perto antes que seus públicos também crescessem.
A cantora e compositora Lorena Moura viveu esse momento em abril de 2025, quando escolheu a Audio Rebel para apresentar pela primeira vez seu projeto solo. O show antecipava Mata-leão, seu álbum de estreia, que só seria lançado sete meses depois, em novembro. Na plateia, formada sobretudo por amigos, familiares e outros músicos, ela testava ao vivo um trabalho que ainda estava nascendo.
“Acho que a Audio Rebel também é um lugar que os artistas encontram para testar. É muito difícil achar locais que recebem o artista independente que está começando e ainda está formando público”, reflete Lorena.
A facilidade para conseguir um espaço na agenda não tira o peso de ocupar aquele palco. A Rebel combina duas características nem sempre fáceis de encontrar no mesmo endereço: é acessível para quem procura onde tocar pela primeira vez e, ao mesmo tempo, já tem um público acostumado a ir até lá para descobrir o que está surgindo. “Quando você começa, é muito legal fazer show lá. É um lugar de encontro”, comenta.
Mas a metáfora da “categoria de base” não é suficiente para definir a Rebel, já que, é claro, a casa não existe apenas para revelar artistas até que eles cresçam o suficiente para deixá-la. Em muitos casos, é justamente o pequeno palco que permite experimentar, encontrar outros músicos, formar público e, inclusive, voltar mesmo depois de já caber em lugares maiores.
Pequenos palcos, grandes negócios
Para escrever esta matéria, entrei em contato com Pedro Azevedo às 14h de uma segunda-feira após encontrar o seu número em uma simples busca no Google. Cinquenta minutos depois, ele respondeu propondo um encontro para dali a pouco, às 18h do mesmo dia.
“Vai ser legal ver a coisa como ela é, sacou? Pouca gente trabalhando, um ajudando o outro. Talvez a gente tenha que interromper cinco minutinhos para ajudar alguém com alguma coisa, mas você fica à vontade”, antecipou o fundador da casa, alertando-me que, provavelmente, não poderia dedicar 100% de sua atenção à entrevista.
Cheguei à Rua Visconde de Silva às 17h45, de Uber, para não correr o risco de me atrasar. Em condições normais, meu caminho seria via 755 ou 775, duas das linhas de ônibus que ligam Niterói à Zona Sul, seguida de uma breve caminhada de 700 metros. Pedro ainda não havia aparecido, mas a casa definitivamente não estava vazia.
Quem abriu a porta foram dois integrantes da banda argentina Pasodesombra, que tinha se apresentado por ali três dias antes. Outras pessoas entravam e saíam dos cômodos, entre músicos que tocariam no dia e gente que parecia ter acabado de ensaiar — afinal, além de receber shows, o espaço também trabalha com ensaios e gravações. Naquela noite, o palco abrigaria Wolfgang Pérez, cantor europeu cuja obra tem ligações brasileiras.
Enquanto esperávamos por Pedro, o produtor Kassin — ex-Acabou La Tequila, membro da Orquestra Imperial e produtor de Los Hermanos, Caetano Veloso e Erasmo Carlos, entre outros — desceu as escadas do estúdio independente que mantém no andar de cima. Ao encontrar a movimentação no hall, voltou-se para a cantora de sotaque português que o acompanhava, cujo nome não consegui identificar. “Hoje é quem? A gente nunca sabe o que tá rolando na Rebel”, brincou.
A agitação daquela segunda-feira talvez seja a melhor apresentação jornalística possível da Audio Rebel. Espremidas nos poucos cômodos de um sobrado em Botafogo, diferentes etapas do negócio da música aconteciam simultaneamente. Enquanto uns ensaiavam, outros gravavam, produziam, passavam o som ou se preparavam para subir ao palco. Naquela semana, inclusive, sete apresentações em sete noites estavam previstas para o espaço.
Por trás de tamanho fervilhamento, entretanto, há uma estrutura centralizada sobretudo na figura de uma pessoa: Pedro Azevedo. Por isso, não é difícil imaginar que nossa conversa tenha sido interrompida algumas vezes. Entre uma resposta e outra, era preciso atender alguém, conferir os preparativos do show daquela noite ou resolver alguma das pequenas demandas que surgiam pela casa.

Nada muito diferente do que Pedro havia me avisado quatro horas antes, por WhatsApp. Na prática, as interrupções acabaram ajudando a explicar o funcionamento da Rebel melhor do que uma entrevista sem elas faria. Afinal, administrar um espaço pequeno significa estar disponível para um pouco de tudo.
Nos dias de show, geralmente três pessoas dão conta da operação. Uma delas fica responsável pelo som; outra, pela bilheteria — função que, naquela noite, cabia ao próprio Pedro, embora, como ele faz questão de ressaltar, “nunca seja só a bilheteria”, e as tarefas se misturem conforme as necessidades aparecem.
O terceiro posto é o bar. Naquela segunda-feira, quem assumiria o balcão era o pai de Pedro, engenheiro aposentado que, depois de passar boa parte da vida pouco entusiasmado com a escolha profissional do filho — que trocou o curso de Direito pela música, como veremos mais à frente —, hoje ajuda a manter a casa funcionando.
“Esse é o segredo da casa. É trabalhar o mínimo possível de pessoas por dia para ter menos despesas e remunerar bem as pessoas que trabalham”, explica.
A equipe que permite esse revezamento é um pouco maior. Cerca de dez colaboradores se alternam entre funções técnicas, bar e outras demandas dos eventos, a maioria remunerada por diária, de acordo com a programação da casa. Uma pessoa trabalha remotamente na organização da agenda, na produção e na atualização do site.
Pedro é o único nome fixo na administração. Desde que se tornou pai, tenta concentrar a maior parte de sua rotina no home office e na elaboração de projetos, mas isso não significa que tenha deixado de acumular funções.
“Deixa eu só ouvir uma mensagem aqui um segundinho”, pediu em determinado momento da entrevista. Pouco depois, nossa conversa seria interrompida novamente, desta vez para que ele ajudasse a resolver um problema no som. Não seria a última.
A aparente onipresença de Pedro, no entanto, não significa que a casa funcione sozinha ao seu redor. Entre os profissionais fundamentais para o funcionamento do espaço, está Gustavo Benjão, músico da banda Do Amor e técnico de gravação da Rebel. Além das sessões de estúdio, ele também opera o som dos shows, dividindo a função com outros técnicos.
“A dinâmica de trabalho é muito tranquila. A galera se dá super bem e cada um exerce a sua função sabendo o que tem que fazer”, conta Benjão.
Sua própria relação com a Rebel, aliás, começou do outro lado. Antes de trabalhar na casa, ele já a frequentava como público e músico. Foi durante uma gravação com a Do Amor que passou a enxergar o espaço de outra maneira. A banda registrava “Gatinha de Rua”, de Cazuza, para a coletânea Agenor, quando a estrutura do lugar lhe chamou a atenção.
“Fiquei intrigado. Pensei ‘caramba, tem um estúdio aqui em Botafogo que é meio underground, mas tem uma máquina de fita, uns microfones bons, o maior clima bom e, ao mesmo tempo, um monte de cartaz de banda punk’”, lembra.
O caminho entre palco, estúdio e bastidores não é exclusividade de Benjão. Um dos integrantes da Pasodesombra — que havia aberto a porta para mim naquela segunda-feira — conhecia aquela rotina melhor do que eu poderia imaginar naquele momento. Matías Coulasso, hoje músico da banda argentina e diretor do espaço Roseti, em Buenos Aires, trabalhou na Audio Rebel entre 2012 e 2014.
Nessa época, sua função era menos fácil de resumir. Matías preparava os ensaios, atendia o telefone, operava o som e, como baterista, chegava a consertar os instrumentos quando necessário. “Um monte de coisas, né? Como tem que fazer na cultura independente”, resume.
Anos rebeldes
A frase que fechou o tópico anterior poderia ter sido dita pelo próprio Pedro Azevedo no início deste século. Muito antes de administrar bilheteria, agenda, projetos e problemas técnicos na Rua Visconde de Silva, ele já havia descoberto que, para viver de música independente, precisaria fazer muito mais do que tocar.
A lição começou ainda na Tijuca, onde morava com os pais e ensaiava com sua banda de hardcore em um cômodo pouco utilizado da casa. Como era preciso fazer o ensaio funcionar, Pedro aprendeu as noções básicas de áudio. Quando percebeu que a estrutura encontrada nos shows nem sempre dava conta do que a banda precisava, começou também a carregar os próprios equipamentos.
Aos poucos, tocar tornou-se apenas uma parte de seu trabalho. Pedro montava shows, negociava com outras bandas, conseguia equipamentos, fazia cartazes, procurava a imprensa e resolvia hospedagem para grupos de fora. “Eu comecei a entender que ninguém ia ligar para a gente e falar ‘vem tocar aqui que eu vou te pagar’. A gente tinha que produzir os nossos próprios eventos”, lembra.
O aprendizado ganhou outra escala por volta dos 19 anos, quando Pedro participou da produção de um show da banda Dead Kennedys na Tijuca. Àquela altura, já ficava cada vez mais claro que sua relação com a música não terminaria no palco — e tampouco caberia no curso de Direito que frequentava.
Pedro trancou a faculdade e, mais tarde, ingressou em Comunicação, formando-se em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Foi naquele acúmulo meio improvisado de funções da música independente, no entanto, que começou a tomar forma o trabalho que acabaria levando à Audio Rebel.
A ideia de concentrar essas atividades em um endereço surgiu ao lado de Daniel Lages, guitarrista da banda de Pedro e seu futuro sócio. A proposta inicial dos dois já previa sala de ensaio, loja de discos e um espaço onde apresentações pudessem acontecer. Pedro e Daniel tinham parte dos equipamentos necessários graças às próprias bandas, mas pouco dinheiro para colocar o negócio em pé.
A busca por um imóvel se concentrou entre Botafogo e Copacabana, regiões onde já circulavam para ensaios, shows e estúdios. Foi na Rua Visconde de Silva, 55, que encontraram o sobrado que desde então nunca mais deixaria de abrigar a Rebel. Antes deles, o endereço havia sido utilizado pelos Correios, e ainda precisaria de muitas obras para se transformar no espaço musical imaginado pelos dois.
É claro que o espaço não se transformou de uma vez. Com pouco capital para investir, a dupla estruturou primeiro as atividades que conseguia colocar para funcionar, para depois reinvestir na própria casa o dinheiro que entrava. Reformas e adaptações continuariam por mais de uma década.
Nos primeiros anos, fazer o que acontecia dentro daquele sobrado chegar a mais gente também exigia esforço. Pedro lembra de viver “alucinado” atrás de jornalistas como Tom Leão e Silvio Essinger para divulgar a programação da casa.

Quando Essinger finalmente chegou à Rebel, em 2012, encontrou um espaço que já havia se tornado referência. À época começando a trabalhar n’O Globo, o jornalista preparava uma reportagem sobre a cena de música experimental do Rio. “A Audio Rebel despontava como O lugar”, lembra. Depois, passou a frequentar os shows e, também músico, calcula ter tocado por ali com pelo menos três bandas.
Para Essinger, parte da importância daquele endereço estava justamente nas conexões que passaram a acontecer ali. “A Audio Rebel teve um papel bem importante em conectar as lendas da música alternativa, como Jards Macalé, Arrigo Barnabé e Maurício Pereira, com as novas gerações da experimentação. Muita coisa nasceu a partir dali.”
Se é difícil calcular quantas portas a Rebel abriu desde que inaugurou a casa em 2005, algumas delas levam diretamente a essa nova leva de artistas descrita por Essinger.
Negro Leo atravessou algumas dessas portas. O músico se aproximou da Rebel no início da década de 2010, período em que o espaço se tornou um dos pontos de encontro de uma geração que misturava jazz, improvisação, música experimental e outras linguagens em projetos que frequentemente compartilhavam os mesmos integrantes.
“Foi o primeiro lugar que permitiu que toda uma geração de músicos experimentasse”, afirma. “A gente tinha um lugar para fazer isso, para tocar música diferente, juntar com fulano, ciclano, beltrano. Todo mundo tinha banda com todo mundo.”
Negro Leo lembra daquele período como um ambiente não apenas de apresentações, mas de formação. Músicos assistiam ao trabalho uns dos outros, criavam novas parcerias e aprendiam enquanto desenvolviam uma linguagem própria. “Foi um ambiente de formação e também possibilitou a gente aprender muito sobre música ali.”
Parte dessa movimentação se organizou em torno do Quintavant, evento iniciado em 2010 e realizado às quintas-feiras na Rebel. Para Negro Leo, que morava em Botafogo naquele período, a frequência na casa foi determinante para sua própria trajetória artística. “A Rebel foi muito importante na nossa formação mesmo, profissional e como artista”, conta.
O movimento não acontecia apenas em cima do palco. À medida que aquela produção encontrava endereço, também encontrava quem quisesse ouvi-la.
“De certa forma, a gente cria também um público. As pessoas só precisam que alguma coisa comece a ser feita para elas irem, porque elas já se identificam com aquilo previamente”, reflete. “Formação de público, na verdade, é encontrar um público que converse com aquela história.”
Até hoje, contudo, parte desse público potencial talvez ainda nem saiba onde fica a Rua Visconde de Silva.
Em junho deste ano, a estudante Ana Luísa Brandão e a professora de dança Andressa Freire saíram de Niterói para assistir à Walfredo em Busca da Simbiose, de São Paulo, na Rebel. Apesar de fãs da banda e de outros nomes da música alternativa nacional, nenhuma das duas havia entrado antes na casa. Ambas, inclusive, conheceram a banda pelas recomendações aleatórias dos streamings.
“Eu achei incrível”, conta Ana. “Eu faço música também, então sentir o som deles de verdade tocando na sua alma e poder estar perto ali é uma coisa incrível.”
Andressa conhecia o grupo desde 2019 — seu filho, brinca, “nasceu escutando Walfredo” —, mas também nunca vira um show deles.
“É bom que a casa seja pequena, porque é acolhedora”, diz Andressa sobre a experiência de ter ido à Audio Rebel. “Eu não estou acostumada. Acho incrível ter essa proximidade com uma banda que você admira e poder sentir que eles são pessoas assim como você”, completa Ana Luísa.
Do palco, Lou Alves, vocalista da Walfredo em Busca da Simbiose, encontra vantagem parecida. Acostumada também a festivais e apresentações para mais de mil pessoas, a banda havia tocado na Rebel para cerca de 30 ou 40 pessoas em sua primeira passagem pela casa. Na segunda, esgotou os ingressos e precisou abrir uma sessão extra.
“Quando você está num palco como o da Audio Rebel, tem um fã ali interagindo com você em todas as músicas, gritando, olhando para você. O contato com o público é muito mais sincero e visceral”, reflete.
A experiência da Walfredo também expõe um limite que vai além das paredes da Rebel. Para Lou, ainda são poucos os espaços cariocas de pequeno porte voltados à música alternativa. A diferença fica mais evidente quando compara o Rio a São Paulo, cidade onde vive atualmente e na qual enxerga uma cultura mais consolidada de pequenos nichos.
“Você está em uma esquina, tem um nicho. Está em outra, tem um nicho”, exemplifica. “São barzinhos, lugarzinhos pequenininhos que sempre apoiaram a cena independente, os artistas emergentes.”
A diferença não estaria apenas na quantidade de casas, mas também no hábito de ocupá-las. Lou brinca que, em São Paulo, pode ser terça-feira, estar frio e “caindo pedra” que ainda haverá gente saindo para ouvir música. A dimensão da cidade ajuda, assim como a concentração de artistas, público, equipamentos, imprensa e outros agentes do negócio da música.
No Rio, a existência de menos espaços não significa necessariamente a inexistência desse público. Talvez parte dele simplesmente ainda não tenha encontrado a cena que já existe ao seu redor. Como Ana Luísa e Andressa, outros tantos ouvintes circulam diariamente por bandas alternativas brasileiras e estrangeiras sem conhecer boa parte dos artistas que tocam a poucos quilômetros de casa.
Enquanto houver quem ouça, por exemplo, Arctic Monkeys no Rio sem nunca ter esbarrado em nomes como Quedalivre ou Ventilador de Teto, a cena ainda tem para onde crescer.
Nem coração de mãe aceita tudo
Lá no início desta matéria, Lorena Moura definiu a curadoria da Audio Rebel como um “coração de mãe”, capaz de acolher artistas dos mais diferentes estilos e momentos de carreira. Depois de mais de duas décadas de portas abertas, porém, a casa também precisou aprender que até coração de mãe tem seus limites.
Em julho deste ano, a Rebel chegou a ter marcado em sua programação o show de uma banda — cujo nome não precisa ser citado aqui — formada pelo então pré-candidato à Presidência Renan Santos, do Missão, pelo ex-deputado Arthur do Val e por Gustavo Moledo. A apresentação acabou cancelada na véspera, depois que a relação entre os músicos e a política veio à tona.
Segundo a Rebel, a data havia sido fechada por um produtor externo, que não informou sobre vínculos político-partidários da atração ou sobre a possibilidade de o evento estar relacionado a uma pré-campanha eleitoral. A casa afirmou ainda ter recebido a informação de que a apresentação não teria caráter político e reconheceu que o episódio serviria para tornar mais rigorosa a análise de eventos realizados no espaço.
No comunicado que anunciou o cancelamento, a Rebel reafirmou seu compromisso com “a democracia, a cultura, os direitos humanos e a diversidade” e se declarou contrária ao fascismo, ao autoritarismo, à misoginia, ao racismo e à LGBTfobia. A decisão dividiu opiniões nas redes sociais, mas recebeu apoio de parte da própria cena que frequenta a casa. “A Rebel precisa se manter sendo um espaço de desenvolvimento criativo e de acolhimento para mulheres, pessoas LGBTQIA+, pessoas não brancas e todas as pessoas historicamente marginalizadas”, escreveu o perfil da banda Troá.
O Proscênio, obviamente, concorda com o cancelamento. Afinal, manter as portas abertas à diversidade também significa fechá-las para quem trabalha contra ela.


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